CC: Universidade e Sociedade
Aylla Ruas de Matos
“Ilha das Flores”
Este documentário relata de forma impactante a realidade de mulheres e crianças que residem na Ilha das Flores, localizada em Belém Novo, município de Porto Alegre. Lugar onde é despejado o lixo produzido pelos moradores da capital, e onde os donos de terrenos utilizam o espaço para criar porcos. O lixo é, basicamente, tudo o que não nos será mais útil. Porém, na Ilha das Flores, os empregados do dono do terreno separam no lixo aquilo que é de origem orgânica para servir de alimento aos porcos, e aquilo que for considerado impróprio para os porcos, ficará disponível para alimentar mulheres e crianças. Por serem muitas, elas formam fila e são organizadas em grupos de 10, tendo a permissão de entrar e permanecer por 05 minutos para recolher o tanto de alimentos que conseguirem, e assim garantir a sua refeição (se é que pode ser chamada assim). O curta-metragem nos mostra que, apesar dessas pessoas terem o telencéfalo altamente desenvolvido e o polegar opositor (portanto, sendo seres humanos), o fato delas não terem dinheiro e nem algum outro meio de troca, faz com que os porcos sejam prioritários à elas.
“Boca de Lixo”
Neste documentário há depoimentos de pessoas que trabalham na “Boca de Lixo”, a partir deles, pode-se observar o ponto de vista delas em relação á essa profissão. A princípio elas ficaram receosas com a presença do jornalista e de sua câmera, questionaram sobre o que ele estava ganhando com aquelas filmagens e deixaram claro que não estavam roubando, mas sim, trabalhando honestamente. Ao decorrer do vídeo, podem-se notar diversas lições de vida dadas por esses catadores. Apesar da rotina cansativa devido ao árduo trabalho exercido, o sorriso no rosto e as brincadeiras entre eles são realmente incríveis de se ver. Enquanto nós, muitas vezes por não termos aquela roupa de marca que tanto queríamos, o celular da moda ou até mesmo o carro do ano, já ficamos chateados e reclamando da vida. A maioria dos catadores está no lixão por não ter outra oportunidade de emprego, porém, há pessoas que escolhem trabalhar ali, como a dona Cícera que diz preferir trabalhar na “Boca de Lixo” ao ser empregada doméstica, pois não gosta de ser mandada, e sim, de mandar em si mesma. Ela diz também que após o dia de trabalho, ela chega em casa, toma banho e vai para a Igreja. Mesmo vendo o comodismo de alguns deles ali, é chocante saber que além de viver na pobreza, estão sendo expostos á tantas doenças, pois até lixo hospitalar é possível encontrar, até houve uma mulher que furou o pé com uma agulha, sem saber o quão perigoso isto é. Com certeza este documentário nos faz refletir sobre muitas coisas em relação á nossa vida e nos lembra de valores que em nossa sociedade atual não se vê mais. Também nos ensina a dar valor ao nosso lixo e a separá-lo de forma correta, pois como disse o senhor Enock “o lixo é o final do serviço, mas para os catadores, é a partir dele que tudo começa”.
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